Anyssa Ferreira – A WProfessional do Mês

Publicados: 2020-08-13

Bem-vindo de volta à nossa seção de entrevistas! Este mês tivemos o prazer de conversar com alguém que está do outro lado do oceano: Anyssa Ferreira, @anyssaferreira no Twitter. Inicialmente especializada em design gráfico, fundou seu estúdio de design gráfico que mais tarde evoluiu para web design. Ela faz parte da equipe organizadora do WordCamp São Paulo e participa ativamente da comunidade WordPress brasileira, então por favor dê as boas vindas a Anyssa Ferreira!

Obrigado pela entrevista, Anyssa. É um prazer ter você aqui! Para quem não te conhece, conte-nos um pouco sobre você e sua carreira.

Olá, obrigado pelo convite! Sou designer e desenvolvedor front-end desde 2007. Sou cofundador do estúdio Haste Design, onde trabalhamos para desenvolver boas experiências de usuário com WordPress.

Também contribuo com a comunidade WordPress brasileira e faço parte da organização WordCamp São Paulo.

Em 2007 você começou a trabalhar como web designer e desenvolvedor front-end. Isso foi nos primeiros dias do WordPress, quando a versão 2.2 que incorporava os widgets acabava de ser lançada . Como você conheceu o WordPress? Como foi sua primeira experiência?

Em 2007 eu estava procurando emprego e precisava de uma plataforma para construir meu portfólio de design gráfico. Descobri o WordPress e, para falar a verdade, não gostei no começo, pelo menos não por fazer um portfólio. Então preferi usar o Blogspot, pois havia mais possibilidades de customização, como poder editar o CSS e HTML do site.

Apenas alguns anos depois, usamos o WordPress novamente, para criar um site para nossa empresa, já que era um site mais corporativo. Até então, oferecia apenas serviços de design gráfico. Mas então, à medida que exploramos melhor o WordPress, percebemos que a plataforma evoluiu muito e pudemos oferecer criação de sites para nossos clientes.

Há mais de dez anos você fundou, junto com seu sócio Allyson Souza, a Haste Design . Depois de todos esses anos de experiência, que vantagens e desvantagens você vê em abrir uma empresa desse tipo em seu país? Você tem alguma recomendação para alguém que deseja iniciar um projeto semelhante?

Quando fundamos o estúdio Haste, a formação em design no Brasil ainda era muito focada em mídia impressa, mas o mercado já começava a ficar saturado. Felizmente, sempre gostei muito do lado digital e me dediquei a aprender código por conta própria. Quando percebemos essa tendência, por sermos uma empresa pequena, conseguimos nos adaptar rapidamente.

A principal vantagem é que podemos atender clientes de todos os tamanhos e de todo o mundo, já que o WordPress é a plataforma mais utilizada. A desvantagem é que muitas vezes ainda temos trabalho extra para educar o mercado explicando que o WordPress é uma ferramenta profissional e não apenas um sistema para criar blogs simples.

Minha recomendação hoje é que quem trabalha com desenvolvimento WordPress pense em incorporar as tecnologias mais recentes, como WordPress headless, sites estáticos, integração com frameworks como React, temas baseados em blocos, etc.

Você é e tem sido um membro muito ativo da comunidade WordPress brasileira desde o início. Conte-nos um pouco sobre a história de como essa comunidade começou e quais foram suas principais conquistas como comunidade.

Começamos a interagir com a comunidade WordPress Brasil através de fóruns e grupos para tirar dúvidas sobre desenvolvimento. As pessoas nos ajudaram muito e começamos a participar para retribuir com a ajuda recebida. Ajudamos na concepção do WordCamp São Paulo 2014 e desde então faço parte da organização do evento e contribuí com diversas atividades.

E atualmente, qual é a sua participação e contribuição na comunidade WordPress? O que você mais gosta na sua participação nele? O que você recomendaria a outras pessoas para incentivá-las a contribuir também?

Atualmente faço parte da equipe poliglota, moderando as traduções do português brasileiro, e também faço parte da equipe organizadora do WordCamp São Paulo 2020.

O que eu mais gosto de fazer é planejar eventos como WordCamps e meetups. É muito legal ver algo planejado há meses por voluntários super dedicados se tornar realidade, e ver as pessoas curtindo o evento. Além disso, participando da comunidade WordPress, conheci muitas pessoas incríveis de todo o mundo, fiz amigos, tive oportunidades e tive ótimas experiências.

Em 2015 você recebeu a Kim Parsell Memorial Scholarship, na verdade você foi a primeira mulher a recebê-la. Conte-nos, o que é esse prêmio, como você teve a ideia de se candidatar e como foi a experiência?

A Kim Parsell Memorial Scholarship é um prêmio criado para dar às mulheres a experiência de participar do WordCamp US. O prêmio foi criado em homenagem a Kim Parsell, que era uma figura amada, conhecida como “WP Mom” e sempre presente nos WordCamps.

Minha sócia Allyson Souza viu um post sobre o assunto e me incentivou a me candidatar. No ano anterior, eu já havia participado da organização do WordCamp e havia feito ações para incentivar mais mulheres a participar do evento e da comunidade. Fiquei muito honrado por ter sido escolhido.

Infelizmente, não pude comparecer ao evento porque me foi negado o visto. Mas foi uma das boas experiências que tive na comunidade.

Este ano você foi um dos palestrantes do WordCamp Europe 2020. Parabéns! Você nos falou sobre prototipagem no WordPress. Por que você acha importante criar um protótipo no processo de web design? Quais ferramentas você recomendaria para isso?

Os protótipos são importantes porque nos permitem experimentar e validar ideias sem gastar muito tempo e esforço em algo que pode dar errado. Podemos prototipar para projetos completos ou apenas para um recurso ou página.

A ferramenta depende de quão fiel você deseja que seu protótipo seja. Às vezes, um desenho no papel é suficiente. Para um protótipo com interface interativa, recomendo o Figma. Ou, é possível criar um protótipo no WordPress, utilizando plugins e blocos para criar uma versão simplificada do site.

O ano de 2020 está se tornando um ano muito difícil e nenhum de nós está isento dessa complexidade. Quais são as dificuldades e desafios mais importantes que você está enfrentando agora?

Aqui no Brasil ainda temos uma longa batalha contra o COVID-19. Estou isolado em casa desde março. No trabalho, a maior dificuldade tem sido adaptar nossas estratégias à nova realidade. Em geral, na situação atual, também temos o desafio de nos mantermos otimistas para que nossa energia não esmoreça.

Definitivamente não está sendo fácil, mas apenas para nos animar um pouco, agora é a hora da nossa pergunta mais aclamada: compartilhar um fracasso épico do seu passado?. Confesse: onde e quando você errou?

Não foi um fracasso definitivo, mas durante nossos primeiros dois ou três anos, sinto que deveríamos ter percebido que era hora de deixar de lado a ideia de trabalhar apenas com design e passar para o desenvolvimento web. Embora tenhamos conseguido passar por essa fase, perdemos muito tempo (e dinheiro), porque a síndrome do impostor me dizia que eu não sabia codificar, que era apenas um designer e que nunca poderia praticar o desenvolvimento profissional.

Finalmente, quem mais devemos entrevistar? Diga-nos quais 3 profissionais do WordPress você gostaria de ver nas próximas entrevistas e por quê.

Recomendo Allyson Souza, que é o principal organizador do WordCamp São Paulo. Katharina Farina, jornalista e criadora do canal WP Sem Code. E Felipe Elia, desenvolvedor e criador do canal Felipe Elia WP. Todos eles contribuem muito para a comunidade WordPress brasileira compartilhando conhecimento e colaborando com eventos.

Muito obrigado pelo seu tempo, Anyssa, e muitos incentivos nestes tempos difíceis. Foi realmente um prazer ter esta entrevista com você, e espero que nossos leitores também gostem. Vejo você no Próximo mês!